Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar e proctocolite alérgica

Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar e proctocolite alérgica

 

FPIES
FPIES se manifesta em lactente com vômitos profusos e repetitivos e letargia, geralmente com diarreia, levando à desidratação aguda, ou perda de peso e déficit de crescimento, em formas crônicas.
É causada mais comumente por proteínas do leite de vaca (LV) e soja. Também pode ser causada por outros alimentos sólidos como arroz, aveia, cevada, carne de frango, carne de peru, ovo, ervilha e amendoim. Raramente ocorre em lactentes amamentados exclusivamente.
É pouco reconhecida e muitas vezes, crianças são tratadas de forma errada, com diagnóstico de doença gastrintestinal aguda, sepse ou doença cirúrgica, retardando o diagnóstico por muitos meses.
O diagnóstico é baseado na história, características clínicas, exclusão de outras etiologias e testes de provocação oral. Atualmente, o “Atopy Patch Test” não é recomendado para diagnóstico. Na maioria dos casos, as crianças apresentam história clínica clássica, que dispensa a realização do teste de provocação oral. Este pode ser utilizado para avaliar tolerância ao alimento, a cada 18-24 meses, em pacientes sem reações recentes, sob supervisão médica.
O tratamento envolve exclusão total do alimento, tratamento imediato das reações acidentais, orientação quanto à introdução de alimentos e reavaliação periódica de tolerância. Fórmula extensamente hidrolisada é recomendada para lactentes que não podem ser amamentados, porque alergia concomitante a leite e soja ocorre em até 40% dos casos. Em geral, os sintomas se resolvem em 3-10 dias. Raramente é necessário uso de fórmula de aminoácidos ou repouso intestinal e fluidos endovenosos.
Aproximadamente 25% das crianças com FPIES desenvolvem anticorpos específicos para IgE e algumas passam a apresentar reações de alergia alimentar imediata; IgE positiva está associada com evolução mais prolongada.
Para reações agudas, a primeira linha de tratamento consiste em rápida hidratação endovenosa. Corticoide endovenoso geralmente é utilizado para reações graves e ondasetrona pode ser útil no tratamento da emese. Adrenalina deve estar disponível para tratar potenciais reações cardiovasculares graves com hipotensão e choque. Entretanto, a administração de adrenalina não melhora os sintomas de emese e letargia, os quais, se resolvem rapidamente com administração vigorosa de fluidos endovenosos.
Em geral, FPIES é uma condição auto-limitada, com a maioria dos casos se resolvendo aos 3 a 5 anos, sem sequelas em longo prazo.

FPIAP
FPIAP é uma condição benigna, transitória, com presença de sangue nas fezes em lactentes de aparência saudável e início, geralmente, entre uma e quatro semanas de idade.
Até 60% dos casos ocorre em lactentes amamentados exclusivamente e se resolve com dieta materna de exclusão. Os alimentos comumente envolvidos nestes casos são LV, soja, ovo e milho. Em lactentes alimentados com fórmula, geralmente é causada por proteína do LV e soja.
O diagnóstico é baseado na história de sangramento retal, exclusão de infecções e outras causas de sangramento retal, e resposta à dieta de exclusão, o que tipicamente leva à resolução clínica do sangramento visível em 72-96 horas. Sangue oculto pode permanecer por mais tempo. Testes para hipersensibilidade alimentar IgE mediada são negativos ou inconsistentes e geralmente não são úteis para o diagnóstico, a menos que esteja associada com outras doenças atópicas, como dermatite atópica.
O tratamento consiste em dieta de exclusão. Se for necessário utilizar fórmula infantil, a maioria das crianças responde bem à fórmula extensamente hidrolisada à base de caseína. Apenas algumas crianças necessitam de fórmula de aminoácidos.
A maioria dos casos se resolve aos 12 meses de vida. Até 20% apresentam resolução espontânea, sem modificações na dieta materna. O prognóstico em longo prazo é excelente.

Em conclusão, FPIES e FPIAP são condições comuns da infância com prognóstico favorável, a maioria dos casos se resolve no primeiro ano de vida. O diagnóstico é dificultado pela falta de testes confirmatórios não invasivos e testes que identifiquem os alimentos desencadeantes. O tratamento envolve exclusão do alimento causador e avaliação periódica de tolerância.

 

Fonte: Instituto Girassol