AFINAL, EXISTE ALERGIA ALIMENTAR À CARNE?

AFINAL, EXISTE ALERGIA ALIMENTAR À CARNE?

As reações alérgicas provocadas por alimentos mais conhecidas são aquelas ocasionadas por ingestão de leite, ovos, amendoim ou frutos do mar. Entretanto, o catálogo de reações do organismo humano a determinados tipos de comida é imenso. A alergia alimentar por consumo de carne é uma delas, apesar de muita gente nunca ter ouvido falar sobre isso.

As alergias são reações adversas do organismo por meio da “falha” do mecanismo imunológico. Os sintomas são os mais diversos, desde uma leve coceira nos lábios, até casos graves de inchaços e comprometimento de órgãos.

Apesar de raro, o ser humano pode desenvolver alergia à carne de qualquer tipo de mamífero, como porco, boi ou cordeiro.

Um estudo conduzido pela Universidade da Virginia (EUA) e pelo Centro Médico John James, da Austrália, analisou 60 casos de alergias em que não se conhecia o diagnóstico, ou seja, não sabiam qual alimento causava a rejeição do organismo. Em 25 deles, no entanto, os cientistas chegaram à conclusão que o culpado era a substância alpha-galactose, presente na carne.

Vale ressaltar que a alergia pode ser desencadeada em qualquer momento da vida e uma vez desencadeada a reação, pode ser que a pessoa adquira intolerância a outros tipos de carne, como as brancas de peixes e aves. Isso acontece porque após uma primeira reação alérgica, o organismo produz um tipo de anticorpo que confunde substâncias presentes na carne (galactoses) com “invasores” prejudiciais (sensibilização).

Anafilaxia tardia à carne vermelha

Recentemente, cientistas dos Estados Unidos identificaram um carrapato cuja mordida desencadeia reações alérgicas a carnes vermelhas. Ele causa sensibilização às substâncias galactose-alfa 1 e galactose 3.

A reação pode ser intensa e levar até a morte em alguns casos mais graves. Os sintomas da síndrome causada pela mordida do carrapato e o consumo de carne são: urticária, angioedema e sintomas gastrointestinais que começam após 3 a 6 horas da ingestão de carne vermelha ou vísceras de mamíferos não primatas.

Os estudos apontam que o carrapato responsável pela síndrome é o Lone Star, comum no sudeste dos Estados Unidos, onde parasitam veados.

Cuidados com a alergia alimentar à carne

As pessoas que têm alergia alimentar à carne identificada precisa estar atenta às formulações dos produtos que consome. Além de evitar os pedaços de carne, obviamente, é fundamental ler os ingredientes dos produtos processados e verificar se não há neles compostos de carne animal.

Estudar os nomes técnicos dos ingredientes é um cuidado a mais com a saúde. Ir a restaurantes é um problema, pois não há como ter certeza dos cuidados no preparo dos alimentos de maneira a evitar contaminações.

Vale lembrar que nem todas as reações são severas. Entretanto, quanto mais gordura a carne tiver, mais forte será a resposta anafilática do alérgico.

 

Fonte: Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI